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quinta-feira, 24 de julho de 2008

AOS PROFESSORES

Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que
Os pássaros desaprendam a arte do vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.
Existem para dar aos pássaros coragem para voar.
Rubem Alves

Vivemos um período de profundas transformações, muito se fala da Era da Incerteza, da Sociedade do Conhecimento, frutos dos avanços tecnológicos, das novas características dos processos de produção e da alta informatização e do fenômeno da globalização. A sociedade atual encontra-se em profunda crise, na qual somos remetidos a repensar nossos valores. Nesse contexto permeado de incertezas a escola enfrenta novas exigências e o papel do professor precisa ser repensado.
É assim que neste dia nos permitimos um exercício de reflexão sobre o nosso papel nessa sociedade em transformação. É importante ter consciência de que nossa atuação profissional abre os caminhos para a formação de novos profissionais, de alunos mais conscientes de sua participação na sociedade, onde o docente é o interlocutor dos saberes técnicos. Contudo, a função de professor vai além da transmissão de saberes técnicos e o aluno percebido como um mero um depositário de informações. A sociedade hoje exige competências que o docente necessita desenvolver: criar, planejar e dinamizar situações de aprendizagem, estimular a aprendizagem e a autoconfiança nas capacidades individuais de seus alunos para aprender, enfrentar desafios. E o maior desafio é ajudar os alunos a se tornarem cidadãos plenos em todas as dimensões. Portanto, sua competência se estende a um compromisso moral e social além, do comprometimento com os alunos.
Não restam dúvidas de que por si só o papel do professor é de grande complexidade, pois as relações sociais são complexas e a docência se realiza nas complexidades das práticas sociais. A nível mais pessoal, podemos refletir que ser professor é ser eterno aprendiz e, lembrando o estudioso Pedro Demo: “quem não tem disposição para aprender, quem acha que já sabe, não tem condições de ensinar, qual seja, de fazer o outro aprender”. Precisamos assim, fazer do ensinar um constante aprender, não só nosso, mas também de nossos alunos.
Cabe ainda uma reflexão sobre o papel dos alunos nessa sociedade em transformação. Ser aluno é ser aprendente, ir à procura do saber - buscar, pesquisar, procurar ajuda nas discussões, nas conversas, na reflexão, no professor. Enfim, gerenciar seu processo de aprendizagem para o alcance da autonomia, do trabalho colaborativo e do senso crítico. Porém, é ele, o aluno, que tem de descobrir o prazer de ser uma mente ativa e não simplesmente receptiva.
Portanto, o professor é um profissional que através do seu trabalho afeta todo contexto a sua volta, seus alunos, seus pares e demais profissionais, pois seu trabalho exige um envolvimento como sujeito social em seu cotidiano profissional.

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